"Foi no Cine Vitória que nasceu o Projeto Curta ao meio-dia no ano de 1991. Para quem não sabe, curtas eram exibidos gratuitamente na hora do almoço, com um público médio de 300 pessoas por cada uma das três sessões diárias de segunda à sexta."
Kais Ismail Musa
Nelsonpoa:
Onde é que eu estava em 1991 mesmo? Acho que o prefeito era o Tarso Genro, mas naquela época eu não iria ao meio dia para assistir um curta no Centro, mesmo que fosse de graça. Mais de vinte anos depois, precisamos de iniciativas paralelas como essas, com receitas definidas e planejadas para que o projeto dê certo, o público do centro é diferenciado, muita velharia mora por ali, e outro pessoal que é alternativo, talvez reprises de alguns clássicos remasterizados para tirar aquele pessoal saudosista de casa, com as roupas cheirando a naftalina. O medo do centro também é grande dependendo da hora de circulação, talvez sorteios de sessões, chaveiros, calendários, ter o seu nome divulgado em entrevistas no jornal do cinema, mostrando um filme curto dos frequentadores que quiserem se apresentar incentivando aos outros cinéfilos que apareçam para dar valor ao cinema de quase rua. Nessa hora a gente precisa é criatividade.
"O prefeito era o Olívio e o secretário municipal de cultura era o saudoso Pilla Vares. Foi um projeto importante pq levou à sala de cinema pessoas que nunca antes haviam entrado em uma sala de cinema. Na platéia, o comerciante sentava ao lado do aposentado que sentava ao lado do engraxate que sentava ao lado do executivo que tinha ao seu lado um estudante. Fato inédito fora de uma arquibancada de futebol. Também inédito no mundo todo, o uso do horário de almoço pra levar pessoas ao cinema." Kais Ismail Musa
Nelsonpoa: Realmente aquele pessoal do Pila era impressionante, dali tentaram implantar o Construtivismo e em alguns cursos que a PMPA fazia, vinha um pessoal com umas idéias nada convencionais, a gente até começou a acreditar que as coisas realmente iam mudar. Era uma utopia possível, depois a história conta por si só. Nada se sustenta sem uma contra partida, porque não se faz caridade com o chapéu dos outros, basta olhar aquela Usina do Gasômetro, um Inferno na Torre de tantos problemas que existem. Eu gosto da tela grande e cheguei a pensar em fazer um curso de crítico de cinema, para poder saber mais dos diretores desconhecidos, a linha de trabalho, porque eles escolhem os atores para determinados papeis e por aí vai, mas é caro, precisa de tempo, e a aplicação mesmo é para deixar para posteridade. Lembro que uma vez na Casa de Cultura numa das salas não me deixaram entrar com o refrigerante, o que dizer da pipoca, provavelmente não teria quem limpasse, tem custos e o ar-condicionado às vezes não funciona, não temo como competir com o vizinho do lado. O brabo mesmo é tu ver um comentário de um filme e chega lá o filme te mostra outra coisa deprimente e sem a melhor similaridade com o que tinha no comentário.
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